Efeitos Da Corrida No Corpo Feminino

O movimento Plus Size y también o CorpoModaPalavra e-periódico, vol. 12, núm. 26, pp. 68-91, 2019Universidady también do Estado de Santa Catarina
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DOI: https://doi.org/10.5965/1982615x12262019068

Resumen: Los efectos del significado del cuerpo bello son progresivos social e históricamente, marcados por estereotipos culturales, sociales, dy también clase, políticos o religiosos. Los medios y la moda asimismo tienen una fuerty también repercusión en los estándares de belleza impuestos. Los medios emergen como un lugar privilegiado de constitución, formulación y circulación de los sentidos dy también lo que puedy también ser un cuerpo hermoso o no, como un legitimador de instituciones que determinan lo quy también puede y no puedy también decirse/mostrarse en diferentes espacios. La moda, a su vez, es un espacio de mercado. Por lo tanto, el movimiento plus size surgy también como una necesidad para la aceptación y también interacción dy también los cuerpos gordos en la moda. Sin embargo, la condición del cuerpo gordo no cambia, las citas sy también cambian para producir un efecto que este cuerpo es posible, pero sigue siendo imposible dentro dy también los aspectos dy también estandarización dy también las instituciones.

Palabras clave: moda, medios, cuerpo.

Resumo: Os efeitos dy también sentido do corpo belo são social y también historicamente progressivos, balizados por estereótipos culturais, sociais, de classes, políticos ou religiosos. A mídia y también a moda também possuem forte influência nos padrões dy también beleza impostos. A mídia surgy también como um lugar privilegiado dy también constituição, formulação y también circulação dos sentidos do quy también pode ser um corpo belo ou não, enquanto legitimadora dy también instituições quy también determinam o que pode y también o quy también não pode ser dito/mostrado em distintos espaços. A moda, por sua vez, é um espaço de mercado. Sendo assim, o movimento plus size surgy también como uma necessidady también dy también aceitação y también interação dos corpos gordos na moda. No entanto, a condição do corpo gordo não muda, mudam-sy también as nomeações para produzir um efeito dy también que esse corpo é possível, mas ele continua sendo impossível dentro dos aspectos de padronização das instituições.

Palavras-chave: moda, mídia, corpo.

Abstract: Thy también beautiful body sense effects ary también socially and historically progressive, marked by cultural, social, class, political or religious stereotypes. The media and fashion also have a strong influence on thy también beauty standards imposed. Thy también media appears as a privileged placy también of constitution, formulation and circulation of thy también senses of what can be a beautiful body or not, legitimating institutions that determinstituto nacional de estadística what can and can’t by también said/shown in different spaces. Fashion, in turn, is a market space. Thus, thy también plus sizy también movement emerges as a need for acceptancy también and interaction of fat bodies in fashion. However, thy también condition of thy también fat body does not change, appointments ary también changed to produce an effect of which this body is possible, but it remains impossible within the standardization aspects of institutions.

Keywords: fashion, media, body.


1. INTRODUÇÃO

Enquanto matriz e suportedy también significados, o corpo é complexo sy también pensado de distintas maneiras através do tempoe da história. A concepção do quy también seja um corpo esteticapsique belo é sempre umaconstrução cultural, que varia de acordo com as sociedades existentes, variando,portanto, conformy también as condições de produção dy también cada sociedade. Parafraseando Sant’Anna(2005), o corpo é memória mutanty también das leis y también dos códigos de cada cultura, registrodas soluções y también dos limites científicos e tecnológicos de cada época, por isso, nãocessa dy también ser (re)fabricado ao longo do tempo. Assim, é possível afirmar que o corpoé resultanty también de transformações ao longo dos anos, ely también é permeável às marcas da cultura,passível de mudanças y también é um lugar prático e direto dy también controle social.

<...> a história do corpo feminino é também a história deuma dominação na qual os simples critérios da estmoral já são reveladores: a exigênciatradicional por uma beleza sempre “pudica”, virginal y también vigiada, impôs-sy también por muitotempo, ya antes quy también se afirmassem libertações decisivas repercutidas nas formas y también nosperfis, movimentos mais aceitos, sorrisos mais expansivos, corpos mais desnudos.A história do corpo, em outras palavras, não poderia escapar à história dos modelosdy también gênero y también das identidades (CORBIN, COURTINE, VIGARELLO, 2012, p. 13).

Os discursos de estéticasurgiram no século XIX como efeito da industrialização y también da urbanização. Como lembraCourtinstituto nacional de estadística (2005), esses movimentos transformam os hábitos das pessoas e, consequentemente,seus corpos. Nas sociedades influenciadas pela industrialização o estilo de vidaficou cada vez menos saudável, fruto do próprio produto estabelecorate pela indústria,aliando-se às condições compactas da vida urbana em algumas cidades. Com o processode industrialização y también revolução tecnológica, o corpo se torna um dos principaistextos do capitalismo ocidental, devendo modificar-se e ajustar-se constantementeàs necessidades de produção, quy también configura suas formas a partir dos processos biotecnológicos.

O capitalismo, desenvolveu-se em fins do século XVIII e iníciodo século XIX, socializou um primeiro objeto quy también foi o corpo enquanto força de produção,força de trabalho. O controle da sociedade sobre os indivíduos não sy también opera simplesmentepela consciência ou pela ideologia, mas começa no corpo, com o corpo. Foi no biológico,no somático, no anatómico que, ya antes de tudo, investiu a sociedady también capitalista. Ocorpo é uma realidady también bio-política (FOUCAULT, 1989, p.80).

Foi através da ‘produção’dy también corpos sedentários resultya antes das inúmeras transformações proporcionadas pelocapitalismo que o excesso de peso começou a ficar cada vez mais comum e a crescerexacerbadamente. Corpos cada vez maiores e mais pesados começaram a surgir.

<...> uma das grandes preocupaçõesa nível mundial é a mudança nos hábitos de vida das pessoas, resultanty también dy también um processohistórico dy también evolução da humanidade. Desde que o homem empieza a exploração y también transformaçãoda natureza, y también com o passar do tempo, vão-se criando e desenvolvendo meios parafacilitar as atividades da sua rotina diária, tendo como marco histórico a RevoluçãoIndustrial. Desdy también logotipo a própria máquina começa a reemplazar as diferentes ações motorasque o homem necessitava para executar as suas tarefas, desta forma contribuindopara a diminuição do esforço físico e do movimento anatómico do humano (CHALITA,2013, p. 3).

Mota (1992) analisa esta mudança na sociedady también contemporânea aseverando quy también as alterações se desencadearam pelo rápido desenvolvimento tecnológico y también científico. Essas mudanças foram tão significantes quy también alteraram dy también forma intensa o modo de vida humano, modificando assim os valores, atitudes e comportamentos, e, principalmente, os corpos pertencentes a essa sociedade.

É através da submissão dos corpos ao capitalismo, que os torna cada vez mais sedentários e consequentemente gordos, pela insatisfação sociocultural feminina e pelo poder aquisitivo das consumidoras de tamanhos grandes, que surgiu o movimento intitulado plus size. Dificilmente relata-

-sy también com precisão quando ocorreu a primeira aparição desty también manifesto no mundo, mas acredita-sy también que foi nos estados americanos, em meados do século XX.

Para compreendermos a moda plus size, é relevanty también frisarmos que as medidas dy también vestuário estabelecidas para o corpo feminino sempry también variaram; no entanto, sabemos quy también as grifes sempre seguiram o padrão caracterizado como P, M, G, que sy también refery también às numerações entry también 36, 38 e 40. <...> sabemos quy también a moda plus size teve origem nos usa e, segundo informações dy también weblogs especializados nessy también assunto, o termo (plus = maior e Sizy también = tamanho) surgiu no interior das indústrias de moda para classificar manequins acima da numeração 44, em meados da década dy también 70, mas, sopsique na década dy también 90, com a divulgação em revistas internacionais, que esty también ficou conhecido.

Na década dy también 90, descobriu-se também que, nos Estados Unidos, houvy también um aumento da população em sobrepeso, em especial as mulheres. Os empresários internacionais, então, ao perceberem que os modelos y también tamanhos convencionais já não atendiam a 1/3 dos consumidores, passaram a investir em roupas para esse público, voltando o olhar pela primeira vez para a ‘mulher plus size’ (SILVA, 2015, p. 61).

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Dianty también destes acontecimentos, viu-se nascer um novo segmento dy también moda, que visava, ya antes de mais nada, o lucro. Intitulado moda plus size, este segmento mercadológico passou a nomear e a ‘incluir’ esses corpos que até então apareceriam silenciados/apagados pelo capitalismo.

Essy también movimento surgy también como uma necessidade dy también aceitação y también interação dos corpos gordos, pois a imagem refletida do corpo comunica e expressa historicamente, distintos contextos socioculturais.

<...> a política de identidade tem a ver com o recrutamento desujeitos por meio do processo dy también formação de identidade que se dá tanto pelo apeloàs identidades hegemônicas quanto pela resistência dos ‘novos movimentos sociais’,ao poner em jogo identidades quy también não têm sorate reconhecidas, que têm sorate mantidasfora da história ou quy también tem ocupado espaços às margens da sociedade (WOODWARD, 2012,p. 37).

Podemos afirmar que a nomeação plus size não corresponde, a princípio, a uma identidade estável e pré-existenty también (RODRIGUES, 2010), mas reivindica por meio da enunciação, não só os sujeitos como também um lugar próprio que lhes garanta a existência e seu(s) sentido(s). Orlandi (2015) explica quy también as relações dy también poder e as condições dy también produção estão presentes nos processos dy también identificação do sujeito, y también as identidades resultam desses processos, ondy también sy también estabelecy también a eficácia do imaginário. “Tudo isso vai contribuir para a constituição das condições em que o alegato se produz e, portanto, para seu processo dy también significação” (ORLANDI, 2015, p. 40). Assim sendo, o sujeito, hoje nomeado como plus size, é de ordem construída, resultado dy también um processo que assim o constitui.

Percebe-se que os dizeres sobry también o corpo y también o sujeito plus sizy también estão presentes em enunciados de diversos materialidades, em distintos suportes, impulsionados pelos interesses capitalistas. Esses corpos começaram a aparecer na mídia através de revistas, imagens publicitárias, encartes de moda, desfiles, blogs, propagandas etc., fazendo com quy también os discursos sobry también eles se dispersassem, circulassem e sy también legitimassem.

Sabemos quy también a história da imprensa é a própria história da sociedady también capitalista. O controle dos meios dy también difusão dy también ideias y también dy también informações que sy también verifica ao longo do desenvolvimento da imprensa é reflexo dessa sociedade. A influência quy también a difusão impressa exercy también sobre o comportamento das massas y también dos sujeitos é o traço que comprova esta ligação: sociedade/consumo/imprensa.

Ao longo do século XIX, a gaceta ganhou espaço, virou e ditoumoda. Principalmente na Europa y también também nos Estados Unidos. Com o aumento dos índicesdy también escolarização, havia uma população alfabetizada quy también queria ler e sy también instituir,mas não se interessava pela profundidady también dos livros, ainda vistos como como instrumentosda elity también y también pouco acessíveis. Com o avanço técnico das gráficas, as revistas tornaram-posicionamiento web meio ideal, reunindo vários assuntos num só lugar y también trazendo belas imagens parailustrá-los. Era uma forma dy también fazer circular, concentradas, diversos informaçõessobre os novos tempos, a nova ciência y también as possibilidades quy también se abriam para a populaçãoquy también começava a ter acesso ao saber (SCALZO, 2003, p. 20).

A gaceta feminina é ummarco significativo da história contemporânea, quy también documenta tanto a evolução daimprensa na modernidade, quanto a história social da mulher. As revistas femininassão organizadas para atuar na construção do ideário e do imaginário coletivo e,portanto, é totalmente capaz dy también manipular, através dy también seus comentários, a formaçãodos modos dy también ver e dy también ser de suas consumidoras.

<...> em 1693, na França, surge outra novidade. Tratava-se de umagaceta dy también pauta variada — Mercúrio das Senhoras, a primeira dy también todas asrevistas femininas. Mais tarde, no século XIX, elas sy también multiplicaram. Trouxeramuma fórmula editorial voltada basicapsique aos afazeres do lar y también às novidades damoda- algumas ofereciam às leitoras moldes dy también roupas y también desenhos para bordados, coisaquy también persiste até hojy también em publicações do tipo (SCALZO, 2003, p. 22).

A moda impulsiona o feminino na mídia e por ela é impulsionada. As primeiras grandes tiragens das revistas femininas aconteceram com a difusão dos moldes dy también costura, nos usa (início do século XX). Isso pode ser considerado uma revolução, afinal, a gaceta ensinou as mulheres um novo modo de ser, uma nova maneira dy también fazer.

No início do século XX, as revistas para as mulheres já estavam sacracitadas como veículos significativos da cultura dy también massa. Com o desenvolvimento da indústria da moda, dos cosméticos, dy también produtos para o lar e com o progresso da publicidade, as revistas femininas sy también tornaram fundamentais no mercado. Portanto, podemos afirmar quy también a imprensa feminina está estritapsique ligada ao contexto sócio-histórico que cria razões para o seu surgimento, ondy también os jornais y también as revistas femininas funcionam como ‘termômetros’ dos costumes de cada época, fazendo com quy también cada novidade seja imediatapsique incorporada, desenvolvida e disseminada.

As revistas femininas existem desde el instante en que surgiram revistas no país.Elas começaram a aparecer, sem muito alarde, geralmente feitas e escritas por homens.Traziam novidades da moda, importadas da Europa, dicas e conselhos culinários, artigosde interesse geral, ilustrações, pequenas notícias e anedotas. Esse modelo foi repetido,com pequenas diferenças, durante todo o século XIX y también a primeira metady también do séculoXX. É certo que houve, também, nesty también período, publicações feitas de mulheres paramulheres, preocupadas com sua condição na sociedade y también seus direitos, mas são poucasy también a maioria tevy también vida curta. <...> Nos anos 1970, com a mulher entrando para valerno mercado dy también trabalho, há um grande crescimento no mercado de revistas femininas.Nessy también momento, começam a aparecer também as revistas quy también não tratam as mulherescomo simples donas-de-casa y también mães, mas como profissionais em busca de realização(SCALZO, 2003, p. 33–34).

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Sendo assim, sempre embusca de disseminar o novo y también o que está em ‘alta’ no mercado, no ano de mil novecientos setenta y nueve lançou-sea primeira gaceta americana de moda e estilo para o público plus size, a ‘Big Beautiful Woman’(BBW Magazine).