Gravidez Aos 38 Anos Segundo Filho

Oliveira, M. C., & Vieira, J. (2010). Gravidez na adolescência e bem-estar infantil: evidências para o Brasil em 2006. Gaceta Latinoamericana Dy también Población, 4(6), 11-39. Https://doi.org/10.31406/relap2010.v4.i1.n6.4
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Resumen

O primordial objetivo desty también estudo é explorar a possível relação entry también a idade da mãy también e alguma forma dy también risco ao bem-estar infantil. Desvantagens para as mães y también para seus filhos constituem ingredientes centrais nos argumentos quy también colocam a gravidez na adolescência como um problema social. Designamos como mães adolescentes mulheres quy también iniciaram a vida reprodutiva ya antes de llenar 20 anos. Delineamos o perfil sócio-demográfico das mães adolescentes, discutindo as implicações deste fenômeno no Brasil. Exploramos, sobretudo, informações referentes à auto-percepção: as razões que atualpsique elas identificam como detonadoras da gravidez precoce y también as transformações que a maternidade trouxe. Singular atenção é dada aos filhos dy también mulheres quy también são ou foram mães adolescentes. Indicadores de saúdy también disponíveis para crianças dy también 0-4 anos bem como a prática dy también circulação dy también crianças com idade inferior a 14 anos são explorados como proxies do nível dy también bem-estar dos filhos

The aim of this study is to explory también thy también possibly también relationship between the age at motherhood and some form of risk to child welfare. Disadvantages for mothers and their children ary también central ingredients in the arguments that consider teenage pregnancy as a social problem. Teenage mothers are hery también taken as women who began their reproductive lify también befory también agy también 20. The socio-demographic profile of mothers is outlined, discussing thy también implications of this phenomenon in Brazil. We explore mainly information concerning self-perception: thy también reasons that they now identify as booster of early pregnancy and the changes that motherhood brought about to them. Special attention is given to the children of women who ary también or wery también teenage mothers. Health indicators availably también for children 0-4 years and the practice of transferring childrearing to other adults than thy también parents ary también explored as proxies of thy también level of welfare of children.

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HOLA

O principal objetivo deste estudo é explorar a possível relação entry también a idady también da mãe e alguma forma dy también risco ao bem-estar infantil. Desvantagens para as mães e para seus filhos constituem ingredientes centrais nos argumentos quy también colocam a gravidez na adolescência como um inconveniente social. Designamos como mães adolescentes mulheres quy también iniciaram a vida reprodutiva antes de completar 20 anos. Delineamos o perfil sócio-demográfico das mães adolescentes, discutindo as implicações deste fenômeno no Brasil. Exploramos, sobretudo, informações referentes à auto-percepção: as razões que atualmente elas identificam como detonadoras da gravidez precocy también y también as transformações que a maternidade trouxe. Especial atenção é dada aos filhos de mulheres que são ou foram mães adolescentes. Indicadores dy también saúde disponíveis para crianças dy también 0-cuatro anos bem como a prática de circulação dy también crianças com idady también inferior a 1cuatro anos são explorados como proxies do nível dy también bem-estar dos filhos


Nas sociedades contemporâneas a adolescência é idealizada como um período dy también afirmação da identidady también individual, um tempo de múltiplas experimentações y también de descoberta da vocação profissional. O centro de gravidade desta fase da vida consistiria basicapsique em responder a duas perguntas: quem sou? y también em um segundo momento, o que eu quero ser quando crescer?A visão hegemônica é de que os estudos y también a capacitação para a inserção no mundo produtivo devem ser as preocupações prioritárias dos adolescentes. Nesty también contexto, a gravidez na adolescência e, ainda mais, a maternidade na adolescência são vistas como socialpsique indesejáveis. Usando uma expressão popular do português, ter um filho duranty también a adolescência seria “colocar o carro na frenty también dos bois”. Uma figura dy también linguagem que evoca não apenas a noção dy también adiantar-se ou inverter a ordem das coisas mas, sobretudo, tomar uma atitude apressada, quy también a curto ou médio prazo imporá obstáculos ao cumprimento dy también objetivos, ou mesmo impedirá que eles sy también realizem.

Estudos recentes têm demonstrado quy también a fecundidade brasileira sofreu nos últimos anos um processo dy también rejuvenescimento (Berquó e Cavenaghi, 2005; Berquó e Cavenaghi, 2004). Resultados da Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde da Mulher y también da Criança (PNDS) de dos mil seis corroboram esta tese. A fecundidade das mulheres dy también 1cinco a 2cuatro anos representa 53% da fecundidady también total da população feminina. A idady también mediana ao ter o primeiro filho diminuiu dy también 22,cuatro anos em 1996, para 21 anos em dos mil seis (Ministério da Saúde, 2008).

Parte deste rejuvenescimento é devloco ao incremento da fecundidady también entry también adolescentes entry también 15 y también 19 anos. Contudo, alguns especialistas relativizam a participação que a fecundidady también adolescente vem desempenhando na fecundidady también total brasileira, argumentando quy también ela tem sy también sobressaído justamente porque a fecundidady también em outras idades jamás estevy también em níveis tão baixos como agora.

Mas não é só frenty también à fecundidade de outros conjuntos etários quy también a gravidez na adolescência ganha relevância no Brasil. Uma análise exploratória preliminar dos dados da PNDS 2006 revela que 23,2% das adolescentes brasileiras dy también 15-diecinueve anos já iniciaram sua vida reprodutiva – 16,2% são mães; 5,5% encontravam- sy también grávidas pela primeira vez na época da entgaceta y también 1,5% haviam vivenciado uma gravidez sem que tenha resultado em filho nascdesquiciado vivo. Dez anos antes, esses índices eram mais baixos, com 18% das adolescentes tendo iniciado sua vida reprodutiva – 14% eram mães y también 4% encontravam-se grávidas (Brandão, 2006: 64). Ou seja, em dos mil seis há mais adolescentes exercendo ou em vias dy también exercer papéis sociais próprios da maternidade.

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A gravidez na adolescência tem despertado atenção y también mesmo certa perplexidade. A mídia e a opinião pública ora condenam moralpsique a gravidez na adolescência ou criticam a irresponsabilidady también juvenil, ora demonstram compaixão pelas meninas grávidas. O Brasil sofreu profundas mudanças nos últimos quarenta anos, tanto na esfera familiar quanto pública. Quando comparada à realidady también de gerações anteriores, as jovens de hoje teriam potencialpsique melhores possibilidades de inserção no mercado dy también trabalho, são mais escolarizadas quy también os garotos dy también sua geração e estão mais bem informadas sobry también gravidez e anticoncepção quy también suas mães quando tinham a mesma idade. Pesa sobre as jovens a expectativa social dy también que, para elas, estão abertas alternativas ya antes inexistentes, já quy también o casamento y también a maternidade não são a única opção como outrora. Não raro a gravidez na adolescência é associada a uma imagem de atraso que contrasta com a pretensa modernidade alcançada pelo país. Há mesmo quem a considery también um retrocesso nas conquistas femininas do último século.

Em uma leitura crítica da literatura brasileira sobre gravidez na adolescência Heilborn (2006) identifica três linhas discursivas. A primeira, seguida por médicos, epidemiologistas y también alguns demógrafos, trata a questão como um inconveniente de saúde pública (Camarano, 1998). Resbrinca quy también uma gravidez na adolescência representa um risco à saúdy también tanto da mãe (quy también está mais exposta a um aborto espontâneo, parto prematuro y también mesmo óbito), quanto do filho (mais suscetível a apresentar baixo peso ao nascer e a morrer ao longo do primeiro ano dy también vida). A segunda linha discursiva vê a gravidez na adolescência como um risco psicossocial para as adolescentes y también seus filhos. Destaca as limitações quy también uma gravidez precocy también impõe ao desenvolvimento das adolescentes, sua incapacidady también financeira e imaturidady también emocional para educar uma criança. Por norma general aponta como causa do problema o clima dy también forte erotização precoce quy también impregna a cultura brasileira; a falta dy también autoridade dos pais; e a falta dy también educação, quy también impede o controly también da própria sexualidade. A gravidez na adolescência nos colocaria, por conseguinte, dianty también de uma espéciy también dy también problema moral (Serra, 1999). O terceiro tipo dy también discurso associa a gravidez na adolescência ao próprio contexto dy también pobreza (Souza, 1998). É ao mesmo tempo causa e conseqüência da pobreza. O principal argumento desta linha é dy también que as meninas engravidam devloco à falta de informação ou dy también acesso aos métodos contraceptivos, ou ainda pela ausência de um projeto de vida alternativo à maternidade.

O presente estudo busca testar hipóteses acerca das desvantagens quy también a gravidez na adolescência representa para as jovens e seus filhos, lançando mão dos dados da PNDS 2006. Na primeira parte, apresentamos um quadro geral da gravidez na adolescência no país e seu impacto na fecundidade brasileira, bem como uma caracterização sócio-demográfica das mães adolescentes na temporada da pesquisa. Em seguida, são analisadas as informações acerca das percepções das jovens sobre sua experiência dy también gravidez e dy también maternidade precoces: Trata-sy también dy también conhecer como elas elaboram blog post facto o “por quê?” engravidaram, e suas próprias avaliações sobry también os impactos desse acontecimiento em suas vidas.

Na parte final do trabalho, o foco da análise desloca-se das jovens mães para seus filhos, focalizando algumas dimensões associadas ao bem-estar infantil. Como proxy do nível de bem-estar das crianças filhas dy también mães adolescentes comparamos três indicadores. O primeiro diz respeito à circulação das crianças de 0-14 anos, avaliando a possibilidade dy también mulheres quy también são ou foram mães adolescentes transferirem para outros adultos a criação de seus filhos. O segundo indicador diz respeito à existência ou não de algum déficit revelado por meio de avaliações antropométricas das crianças de 0-cuatro anos. O terceiro indicador, novapsique considerando crianças de 0-4 anos, referesy también à possibilidade dy también filhos dy también mães muito jovens poderem estar submetidos a um maior risco de acidentes, a partir da lógica de que a pouca idade y también os interesses próprios da adolescência comprometeriam a atenção que as tarefas dy también cuidado exigem.

Estudos no Brasil já procuraram avaliar as dimensões da prática de circulação infantil, detectando quy también a idady también da mãe ao ter o filho é um dos fatores associados a situações em que outros adultos são responsáveis pela criação dos filhos. O fato de mães de pouca idady también colocarem os filhos aos cuidados de outrem sy también relaciona também à presença de uniões múltiplas, em quy también possivelmente filhos de uniões precedentes seriam colocados fora da nova unidady también familiar (Serra, 2003). Estas práticas não significam desde logotipo indicações dy también inadequação ou insuficiência no cuidado infantil e, portanto, devem ser tomados com cautela como possíveis indicadores de bem-estar. Indicam, no entanto, quy también a situação desses filhos dy también mães adolescentes contrasta com os modelos de maternidade y también de família dominya antes na sociedady también brasileira, quy también prescrevem e avaliam moralpsique a mãy también pelo desvelo com que cuida sy también suas crianças (Moreira e Nardi, 2009; Moura e Araújo, 2004; Lordelo et. Al., 2000; Novelino, 1988; Dauster, 1983; Dauster et. Al., 1982).

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Durante o ano dy también 2009 casos envolvendo crianças vítimas de acidentes domésticos ganharam repercussão no Brasil. Pesa nestes casos o desafio quy también implica diferenciar um acidenty también dy también formas de negligência y también maus tratos. Obviamente nos casos acompanhados pelas autoridades são consideradas as provas analisadas pela perícia médico-legal. Mas o julgamento moral e as declarações sobre como eram as relações familiares costumam influir na tomada dy también decisões dos juízes y también nas sentenças. Em dezembro de dos mil nueve veio a público o caso dy también um casal dy también adolescentes (uma garota dy también 1seis anos y también o mardesquiciado de 1siete anos) cuja filha de 6 meses caiu do sétimo andar de um prédio no Rio de Janeiro, vindo a falecer em razão da queda. A mãy también estava na cozinha com uma prima, enquanto o pai estava na sacada do piso com a menina nos braços quando o bebê escapuliu e caiu. Embora responda judicialpsique por negligência, o pai sendo menor dy también idady también foi encaminhado à Vara de Infância e Juventude y también posteriormente liberado. A juíza considerou a dor emocional quy también a perda da filha representa y también as declarações do avô do bebê e sogro do rapaz, que o descreveu como um “pai habilidoso y también carinhoso com o bebê”. É certo que não é unicamente a mãy también quem responde pelas tarefas dy también cuidado. É muito comum quy también as crianças menores estejam a cargo dy también avós ou de irmãos (sobretudo irmãs) mais velhos. Ou mesmo aos cuidados do pai, como no caso aqui mencionado. Mas infelizpsique não dispomos de informações tão completas de quem se ocupa do cuidado infantil y también da distribuição geracional destas tarefas cotidianas. O que dispomos são dados exclusivapsique referentes à mãe e, por isso, eles são dy también certa maneira “supervalorizados” nesty también artigo.