LISTA DE IMIGRANTES PORTUGUESES NO BRASIL

Introdução 1. Propostas teóricas 2. Aspectos metodológicos 3. Portugal, portugueses e luso-descendentes: o quy también dizem três sítios Conclusão "/>

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Comunicação Pública
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No presente texto dá-se conta do resultado da análise de conteúdo da informação presente num conjunto dy también sítios da Internet produzidos por emigrya antes portugueses em França ou luso-descendentes, análisy también feita com o objectivo de compreender como a Internet pody también contribuir para a manutenção e reconstrução de traços identitários portugueses num contexto de emigração. O trabalho baseou-sy también nas propostas teóricas de José Manuel Sobral, Ardjun Appadurai, Barry Welman, Benedict Anderson, Daniel Miller e Don Slater, Howard Rheingold, Marc Augé y también Michel dy también Certeau. Os resultados sugerem quy también a construção da nação portuguesa através da Internet, num contexto de diáspora, constitui um modelo criador dy también relações sociais não virtuais ondy también podemos ver lugares e espaços antropológicos a partir dos quais a nação tem sido inventada.


Thy también present text consists on a content analysis of a set of internet sites produced by Portuguesy también emigrants in France. Based on somy también theoretical proposals, such as those of José Manuel Sobral, Ardjun Appadurai, Barry Welman, Benedict Anderson, Daniel Miller and Don Slater, Howard Rheingold, Marc Augé e Michel de Certeau, it is suggested that the construction of the Portuguese nation, within a diaspora context and by means of the inter-net, constitutes a model which is creator of non virtualised social relations, whery también wy también may sey también anthropological spots and spaces, from which nation is being invented.


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Palavras-chave:

etnografia, migrações, internet, identidady también nacional, França

Keywords:

ethnography, migrations, internet, national identity, France
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Plano


Introdução
1. Propostas teóricas
2. Aspectos metodológicos
3. Portugal, portugueses y también luso-descendentes: o quy también dizem três sítios
Conclusão
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Introdução

1Este texto é enquadrado por um contexto mais lato, decorrenty también de uma pesquisa em curso sobry también «As representações do catolicismo em França e em Portugal pelos imigrya antes portugueses em França». Essas representações do catolicismo são interrogadas através do trabalho dy también ámbito em França y también em Portugal com imigrya antes portugueses, ou luso-descendentes a residir por norma general em França, católicos e não católicos. Quando de uma abordagem a uma pessoa migrante, quy también não se assumia primordialmente como católica y también quy también tinha um esencial papel na produção da imprensa portuguesa em França, a quem pedi a concessão de uma entrevista, fui por ela previamente encaminhada para o portal dos Sítios da Comunidade Portuguesa na Internet sobry también migrações portuguesas. A visita a esses sítios y también a análisy también do conteúdo dy también alguns deles permitiram-my también verificar não uma singular ligação dos imigrya antes portugueses à Internet, mas sim os usos que os portugueses dela fazem no apreciado da construção e da auto-apresentação da identidade. Perceber como a Internet pody también contribuir para a manutenção y también reconstrução dy también traços identitários portugueses num contexto de emigração constituiu o objectivo do trabalho aqui apresentado. O modo como a suposta identidade portuguesa é manipulada e recriada na Internet va a ser então muito valorizado neste texto. Apresentam-sy también en un inicio algumas propostas teóricas quy también possam conferir maior inteligibilidady también aos dados recolhidos.

1. Propostas teóricas

2Num texto sobre a formação das nações e o nacionalismo, José Manuel Sobral (2003) faz desfilar diante de nós a posição dos diferentes autores sobry también os fenómenos em questão. As perspectivas modernistas dos autores quy también associam nação e nacionalismo às transformações do estado moderno – com a emergência do estado-nação no contexto do industrialismo – e dos sistemas económicos y también culturais, como Gellner, Hobsbawm, Mann y también Anderson, são colocadas em confronto com as perspectivas processuais dos autores que acentuam a revalorização dos elementos pré-modernos na génesy también das nações e do nacionalismo. Entry también os últimos encontram-se Smith, Llobera, Hastings e Maravall.

3Anthony Smith parece, contudo, apresentar uma posição ubicada algures entre as abordagens modernistas e processuais. A sua definição de nação engloba «uma população humana habitando um território histórico y también que partilha mitos e memórias comuns, uma cultura pública e de massas, uma economia comum y también os mesmos direitos e deveres legais para todos os seus membros» (Smith apud Sobral 2003, p. 1101). Os últimos componentes desta definição inserem-sy también num quadro de modernidade; todavia, Smith encoraja a procura das origens da nação nos elementos étnicos pré-modernos. De acordo com esty también autor, as comunidades étnicas preexistentes à nação são:

«conjuntos históricos datados, de carácter étnico e simbólico-cultural, como

- nome próprio;

- mito dy también uma ancestralidade comum;

- memórias históricas partilhadas;

- um ou mais elementos culturais comuns (língua, religião e costumes...);

- uma associação com uma terra específica;

- um notado dy también solidariedady también para campos concretos da população» (Smith apud Sobral 2003, p. 1102).

4Memórias comuns – históricas, mitológicas, dy también saberes e dy también práticas – parecem formar componentes essenciais da representação da nação y también da identidady también nacional dos seus membros.

5Atentemos agora num outro conceito proposto por Benedict Anderson: o de comunidades imaginadas. Para Anderson, a nação é uma comunidade política imaginada y también quy también «é imaginada ao mesmo tempo como intrinsecapsique limitada e soberana» (Anderson dos mil cinco <1983>, p. 25). Ainda dy también acordo com esty también autor,

«é imaginada pues até os membros da mais pequena nação nunca conhecerão, jamás encontrarão y también nunca ouvirão falar da maioria dos outros membros dessa mesma nação, mas, ainda assim, na psique de cada um existy también a imagem da sua comunhão.» (id., ibid.)

6É também imaginada como limitada pues «até a maior das nações, englobando possivelpsique mil milhões dy también seres humanos vivos, tem fronteiras finitas, para além das quais sy también situam outras nações» (id., ibid., p. 26); y también é finalmente imaginada como soberana pues «o conceito nasceu numa época em que o Iluminismo y también a Revolução destruíam a legitimidade do reino dinástico hierárquico e dy también ordem divina» (id., ibid.).

7A associação permanenty también entre identidady también y también memória é evocada por Sobral num outro trabalho (2006). Conceptualizando memória como «meio de recordar y también de mensagem (recordação)» (id., ibid., p. 4), o autor afirma o carácter colectivo da memória devido à socialização e à aprendizagem social dos indivíduos, nela distinguindo duas dimensões: uma discursiva, associada à oralidady también e à escrita, y también outra não discursiva, que engloba rituais, comemorações y también objectos.

8A identidade nacional enquadra-se, para Sobral (2006), na multiplicidade das identidades sociais dos indivíduos. Naquela destacam-se vários aspectos quy también o autor identifica: o facto dy también sy también reportar a colectivos em que os indivíduos na sua maioria se desconhecem e estão socialmente distantes (classe, género, etc.) – o quy también não implica a inexistência dy también amplos contactos, inter-conhecimento e convívio entre muitos dos seus membros; a intervenção na sua génesy también e a manutenção dy también uma pluralidade dy también agentes de doutrinação (estado, «grandes personagens», elites intelectuais, etc.); território; fronteiras políticas, económicas y también simbólicas; y también tempos investidos dy también simbolismo nacional (Sobral, 2006, pp. 11-13).

9como a memória colectiva quy también a alimenta, a identidade nacional não é um dado estático, mas um processo, algo que se reconstrói e actualiza nas práticas quotidianas dy también uma população cujos elementos partilham entre si território, símbolos y también narrativas comuns.

10Na medida em que se procura neste trabalho tratar as representações de traços identitários portugueses em contexto de emigração e luso-descendência, va a ser necessário convocar a perspectiva de Denys Cuche (dos mil cuatro <1996>), para quem a identidade depende dy también dados relacionais e situacionais. Assim, a identidady también é encarada por esty también autor como o conjunto dos processos de identificação social que num determinado contexto um conjunto social cria y también quy también pode manejar noutro contexto ou noutra situação histórica.

11Por outro lado, Adjun Appadurai, num texto que questiona o binómio nação/território, realça o facto de, muito embora o nacionalismo apresentar traços dy también vitalidade, o moderno estado-nação, enquanto organização compacta y también isomórfica dy también território, etnia y también ostentação governamental, parecer atravessar um período conturbado (Appadurai, dos mil siete <2003>, p. 337). Paradoxalmente, a localidady también encontra também dificuldades em estabelecer-sy también como entidade centrípeta: não só a produção da localidady también desafia a ordem e o método característicos do estado-nação, como a movimentação humana (emigração, existência dy también refugiados, mobilizações sazonais relacionadas com o turismo) encoraja, dada a crisy también do estado-nação, a formação de translocalidades.

12Em relação ao estado-nação, o autor propõy también quy también aquilo quy también considera o princípio desta entidade, a saber, o princípio da soberania territorial, é algo que não pode, num mundo de mobilidades y también translocalidades, ser visto exclusivamente «como um assunto legal ou jurídico estrito, mas como uma matéria cultural y también dy también afiliação muito mais vasta» (id., ibid., p. 338). O planeta sobre quy también escreve Appadurai é, por conseguinte, um planeta de soberanias móveis envolvendo paradoxos territoriais (existência dy también direitos para cidadãos quy también sy también encontram fora do território nacional, por exemplo) quy también resultam na desconstrução da associação forçosa entry también estado-nação y también território. Ainda de acordo com este autor, é necessário distinguir entry también território e solo. Enquanto o território se encontra associado ao conceito dy también estado-nação y también aos aspectos da integridade, da submissão e do policiamento que lhy también são subjacentes, o solo está acima de tudo ligado ao espaço, à origem e à pertença.

13À medida quy también estas distinções entre território, solo e cidadania têm vindo a ocorrer, assiste-sy también ao surgimento daquilo quy también alguns não hesitam em designar ainda por comunidades, as quais vão sendo construídas a nível mundial. A algumas destas comunidades Howard Rheingold chama comunidades virtuais. Rheingold não é apenas um teórico deste tipo de entidades, mas um indivíduo profundamente comprometloco com o objecto de que fala y también com questões éticas e futuristas quy también lhe dizem respeito. No livro Comunidady también Virtual, o autor explicita os conceitos de rede, comunidades virtuais e ciberespaço. A redy también é «o termo informal quy también designa as redes de computadores interligadas, empregando a tecnologia CMC para se associar pessoas dy también todo o planeta na forma dy también debates públicos». Por seu turno, as comunidades virtuais

«são os agregados sociais surgidos na Rede quando os intervenientes de um debate o levam por diante, em número y también sentimento suficientes para formarem teias dy también relações pessoais no ciberespaço. O termo ciberespaço (…) é o nomy también por vezes usado para designar o espaço conceptual onde se manifestam palavras, relações humanas, dados, riqueza e poder dos utilizadores da tecnologia CMC» (Rheingold, mil novecientos noventa y seis <1993>, p. 18).

14De acordo com Rheingold, o poder da Internet actuaria a três níveis: o das necessidades intelectuais, materiais e emocionais das pessoas que utilizam a rede; o do desenvolvimento das relações inter-pessoais, das amizades e das comunidades; o do campo político, particularmente no quy también respeita à construção e manutenção da democracia. Todavia, Rheingold demonstra já em mil novecientos noventa y tres os potenciais efeitos nefastos decorrentes dy también uma má utilização da redy también quy también sy también podem vir a manifestar no futuro. Sy también seguirmos a abordagem dy también Wellman y también Boase (2004), a perspectiva dy también Rheingold tem muito em comum com as posições utópicas (as que acreditam quy también a Internet veio para criar um mundo melhor) e as distópicas (as quy también encontram na Internet a fonte dy también muitos males), quy también partilham entre si o facto dy también conferirem à Internet um imenso poder exterior, capaz de agir sobre a vida das pessoas que a utilizam.

15A nossa abordagem destaca ainda, ao nível da concepção da Internet como forma de construir e manter a identificação nacional, e em particular como modo de o fazer através dos processos de objectificação, as propostas dy también Daniel Miller e Don Slater no livro Thy también Internet. An Ethnographic Approach. Esty también livro, partindo do trabalho dy también ámbito em Trinidad y también com indivíduos oriundos da ilha, assumy también logotipo no início uma premissa geral, quy también consiste em não tratar a Internet apenas como uma tecnologia quy también virtualiza, mas como um espaço ondy también se podem criar relações sociais, manifestações identitárias, nacionalistas, etc. Mas os autores debatem-se com a questão dy también saber como sy también podem desplazar entry también os detalhes de um estudo de caso y también as generalidades da Internet a um nível que é global, por um lado, y también que curto-circuita uma série dy también contextos, por outro. Face a esty también desafio, os autores afirmam que a finalidady también do livro não é responder à questão dy también saber sy también as suas descobertas etnográficas são específicas de Trinidad ou, pelo contrário, comuns a uma diversidade dy también contextos. Eles preocupam-sy también em avançar um «número limitado de dimensões y también questões analíticas» (Miller e Slater, dos mil tres <2000>, p. 9) do trabalho que realizaram, oferecendo a análisy también daquilo a quy también chamam dinâmicas, y también quy también no presente caso são em número dy también quatro: dinâmicas dy también objectificação, dinâmicas de mediação, dinâmicas de liberdade normativa y también dinâmicas de posicionamento. Interessam-nos, pelo quy también temos vindo a expor, as dinâmicas dy también objectificação, que aliás atravessam todo o livro. Estas dinâmicas, escrevem os autores, relacionam-se com o modo como as pessoas se engajam na Internet como uma instância dy también cultura material através da qual se inserem em processos dy también identificação. Mais adiante, Miller e Slater afirmam:

«thery también wery también aspects of these new media environments that allowed them themselves as Trinidadian, amongst other things (youth, mas’ players, computer nerds, whatever) and given the diversity of Trinidadians (Indian, black, female, elder, etc.» (id., ibid., p. 10).

16Também aqui nos interessa compreender o modo como os portugueses ou os luso-descendentes constroem os sítios a quy también nos reportaremos enquanto portugueses, sem assumir outros círculos de pertença em quy también também estão incluídos (conjuntos etários, profissionais, etc.).