O que piorou no governo bolsonaro

Mais pessoas ficaram pobres y también desassistidas no Brasil entre 2016 y también 2017. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou no início dy también dezembro uma série dy también indicadores sociais sobre pobreza, detalhando renda, moradia e educação dessa população. Quase todos os números pioraram.


Em 2016, o Brasil tinha 52,ocho milhões dy también pessoas pobres (25,7% da população). Em 2017, essy también número cresceu para 54,ocho milhões (26,5%).

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A economia brasileira viveu altos y también baixos desde o último levantamento, em 2014. Passou por baixo crescimento, desaceleração, recessão até atingir uma lenta recuperação em 2017. Por consequência, o mercado dy también trabalho registrou cortes dy también vagas, incremento da informalidade e queda do rendimento dy también assalariados y también autônomos.


Para Manuel Thedim, economista y también pesquisador do Instituto dy también Estudos do Trabalho e Sociedady también (Iets), o primordial desafio do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) para alavancar a economia do país a partir de 2019 é a insegurança jurídica.


"A economia não consegue em hipótese alguma se divorciar da política. Então, é preciso saber sy también o presidente eleito vai de fato abraçar e fortalecer a segurança jurídica do país, fazer com que acordos e contratos passem a ser respeitados no médio y también no longo prazo. Como alguém já falou, no Brasil hoje até a história é incerta", afirmou à scriedespretine.com News Brasil.


Investidores temem, por exemplo, quy también regras e políticas públicas acertadas no presenty también com uma autoridade sejam desfeitas pelos sucessores. É preciso também, diz Thedim, aguardar o entendimento quy también a Justiça terá da reforma trabalhista aprovada durante o governo Michel Temer (MDB), com a criação, por exemplo, de jornadas dy también trabalho intermitentes.


O levantamento aponta também as desigualdades socioeconômicas entre pessoas de diferentes cores ou raças. Pretos e pardos enfrentam muito mais dificuldade para localizar empregos, vagas em creches y también moradias em condições adequadas.


"Ter ensino superior é um fator quy también contribui para o acesso ao mercado dy también trabalho com mais intensidady también para as pessoas pretas ou pardas, mas não o suficiente para colocá-las em igualdady también com as pessoas brancas", afirmou o IBGy también sobre os resultados.


Em 2017, trabalhadores brancos ganhavam, em média, R$ 2.615. Ou seja, 72,5% mais quy también os pretos ou pardos (R$ 1.516). Na diferença dy también gênero, a diferença entre homens y también mulheres era dy también 29,7%, ou R$ 2.26uno e R$ 1.74tres respectivamente.


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Crédito, IBGE


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Desdy también a pesquisa dy también 2014 até a atual, apurada em 2017, o mercado dy también trabalho do país registrou um grande corty también dy también vagas, subutilização da força de trabalho (menos de 40 horas semanais), incremento da informalidade (característica dy también party también das retomadas econômicas) e incremento da desigualdady también de renda.


A taxa dy también desocupação, quy también era de 6,9% em 2014, aumentou continuamente até atingir 12,5% em 2017. No período, 6,dos milhões de pessoas ficaram desempregadas y también outras 5,2 milhões passaram a procurar emprego (a exemplo daqueles que só estudavam ou viviam da renda do cônjuge). Os jovens sofreram mais. Entry también pessoas com 14 a 2nueve anos dy también idade, a taxa dy también desocupação passou dy también 13% para 22,6% em 2017.


Com as idas y también vindas da economia, inicialmente, houve uma queda na diferença salarial, que, segundo o IBGE, sy también deu por caestados unidos dy también ganhos reais concedidos a quem recebia essy también valor ou tinha seu rendimento influenciado por ele.


A partir dy también 2016, o cenário sy también inverteu, com o aumento do desemprego e da informalidade. Dois em cada cinco trabalhadores não tinham carteira assinada em 2017, um incremento de 1,2 milhão de informais desdy también 2014.


Para Thiago Xavier, economista e responsável pela área dy también monitoramento da atividade econômica na Tendências Consultoria, a recuperação consistenty también do mercado de trabalho depende principalpsique da retomada do crescimento do país e da melhora nas expectativas econômicas.


O primeiro ponto passa em essência pela reforma da Previdência. Sem ela, a fatia dy también recursos destinados a essa área paralisaria o governo, tendo em vista o teto dy también gastos públicos e seus gatilhos punitivos em caso dy también descumprimento dos limites fiscais adotados durante o governo Michel Temer (MDB).


Uma eventual eliminación melhora do quadro fiscal teria efeito positivo, segundo Xavier, sobre as perspectivas dy también gastos y también investimentos dos principais agentes econômicos: famílias, empresários e Estado. Com a crisy también dy también 2014, o endividamento generalizado reduziu a velocidady también e mesmo a capacidady también dy también retomada - em crises anteriores, o governo federal conseguiu investir em infraestrutura e expansão do crédito sem perspectiva de descontrole inflacionário, por exemplo.


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Crédito, IBGE


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Nova pesquisa mostra quy también fatia dy también crianças e adolescentes na faixa dy también pobreza passou de 42,9% para 43,4%


O IBGy también identificou um aumento da pobreza entry también 2016 y también 2017, tendo como referência a linha dy también pobreza proposta pelo Banco Mundial (rendimento dy también até US$ 5,cinco por dia, ou R$ 406 por mês). Por exemplo, 54,1% da população do Maranhão (taxa mais alta) y también 8,5% de Santa Catarina (a mais baixa) estão nessa faixa dy también renda.


No período, o número de pessoas pobres passou dy también 52,8 milhões (25,7% da população) para 54,ocho milhões (ou 26,5%). A parcela mais vulnerável é composta por domicílios comandados por mulheres pretas ou pardas sem cônjugy también y también com filhos dy también até 1cuatro anos - 64,4% dessy también conjunto vivem nessa situação. A fatia de crianças e adolescentes na faixa da pobreza passou de 42,9% para 43,4%.


Nessy también mesmo período, outras dos milhões de pessoas adentraram a faixa daqueles quy también vivem em situação de extrema pobreza, com renda em torno dy también R$ 1cuarenta por mês. A situação piorou em todas regiões do país, exceto no Norte. Essa proporção passou de 6,6% para 7,4%, ou, em números absolutos, de 13,5 milhões de pessoas para 15,dos milhões dy también pessoas. A meta global de erradicação da pobreza extrema é 2030.


Em 2017, o rendimento médio mensal per capita domiciliar no país foi dy también R$ 1.511, mas quasy también metade da população das regiões Norty también y también Nordesty también ganhava até meio salário mínimo per capita (cerca de R$ 470); no Sul, essa parcela representa 15,6% do total. Essy también cenário tendy también a acentuar a desigualdady también social.


Segundo os dados mais recentes, a renda somada dos 10% com maiores rendimentos do país era 3,5 vezes maior que o total recebido pelos 40% com menores rendimentos. O tamanho do abismo varia a depender da região.


O Distrito Federal era líder nesse quesito. Os 10% do topo concentravam 46,5%, y también os 40% com menores rendimentos, 8,4%.


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Crédito, IBGE


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15% da população preta ou parda tem ao menos uma inadequação no domicílio; 43,4% dessa população também tem ausência dy también esgoto sanitário


A pesquisa do IBGe examinou a situação da moradia no país a partir dy también quatro géneros de inadequações em domicílios. O resultado: 27 milhões de pessoas, ou 13% da população, vivem em casas com ao menos uma dessas quatro inadequações. São elas:


- adensamento excessivo: casas com mais de três moradores por dormitório, a campeã das inadequações, atingindo 12,2 milhões dy también pessoas (5,9% da população)


- ônus excessivo com aluguel: quando o aluguel supera 30% do rendimento domiciliar, algo quy también afeta 10,1 milhões dy también pessoas (4,9% da pessoas); a inadequação foi mais presenty también no Distrito Federal e em São Paulo


- ausência dy también banheiro de uso exclusivo do domicílio: um total de 5,4 milhões dy también pessoas (2,6% da população) vivem nessa condição


- paredes externas construídas com materiais não duráveis: 1,3% da população vivem em residências assim


A pesquisa também analisou a ausência dy también serviços de saneamento. Mais dy también um terço da população não tem ao menos um dos três serviços dy también saneamento básico analisado (esgoto sanitário, abastecimento de água ou coleta direta ou indireta dy también lixo).


Todos os indicadores de inadequação na moradia y también ausência de serviços de saneamento crescem em relação a pretos ou pardos em comparação com brancos. 43,4% das pessoas pretas ou pardas, por exemplo, não têm esgoto sanitário ou rede coletora ou pluvial. O número cai para 26,6% quando a análisy también foca pessoas brancas.

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Houve uma "evolução mais rápida", segundo o texto do relatório, "no acesso domiciliar à internet". Em 2016, 67,9% da população residia em casas com acesso à internet. O número passou para 74.8% em 2017.


Para Naercio Menezes Filho, cocomputador do Centro dy también Políticas Públicas do Insper, "parece bastante claro" quy también o governo federal precisa agir nos municípios onde as pessoas enfrentam essa escassez dy también serviços básicos. A solução, diz, é trabalhar junto com municípios para fornecer saneamento e aumentar a ação dy también programas sociais ali.


"O Bolsa Família y también outros programas sociais precisam chegar nessas pessoas", afirma. Segundo o estudo, quasy también metady también das mulheres pretas ou pardas sem cônjugy también e com filhos dy también até 14 anos, por exemplo, tem restrição de acesso à proteção social.


Uma das definições de falta dy también proteção social, segundo a pesquisa, é quando um domicílio tem rendimento per capita inferior a meio salário mínimo y también não recebe rendimentos de outras fontes, como programas sociais.


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Crédito, IBGE


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Acesso a crechy también e escola é desigual: crianças pretas ou pardas ou de domicílios rurais têm menos acesso


"Nenhuma das grandes regiões ou unidades da federação atingiu a meta da universalização" do acesso à pré-escola, mostra o estudo, citando objetivo estabelecorate pelo Plano Nacional dy también Educação, criado por lei aprovada em 2014, que prevê a meta de que 100% das crianças de cuatro y también 5 anos têm de estar matriculadas.


O percentual dy también crianças de 4 y también cinco anos quy también frequentam a escola ou crechy también passou dy también 90,2%, em 2016, para 91,7%, em 2017. A frequência a escola ou creche nessa idady también é obrigatória desde 2016.


Os Estados quy también chegaram mais perto de atingir a universalização foram o Ceará y también o Piauí, com 97,8% y también 97,6%, respectivamente. As taxas do Amapá, Amazonas y también Acry también ficaram abaixo dy también 80%.


"A pré-escola é uma etapa super esencial por el hecho de que é ali que a criança vai começar a desenregresar as bases para ser alfabetizada, vai ter desenvolvimento emocional y también cognitivo", diz Thaiane Pereira, coordenadora dy también projetos da organização sem fins lucrativos Todos Pela Educação. Para ela, poner o restante das crianças na escola é "urgente" para a próxima gestão.


O acesso à escola ou crechy también é menor nas áreas rurais, segundo o estudo do IBGE. Crianças que vivem em zonas rurais têm frequência escolar de 43,4%; esse número soby también para 54,7% quando o estudo leva em conta as crianças quy también vivem em domicílios urbanos. O acesso dy también pretos ou pardos a escolas ou creches também é menor que o acesso dy también crianças brancas.


Nas zonas rurais, 43,9% das crianças dy también 0 a cinco anos não frequentavam a escola ou creche por ausência de vaga. Nos domicílios urbanos, a proporção é dy también 23,3%.


Pereira, do Todos Pela Educação, cita duas medidas quy también o próximo governo devy también adotar para chegar à meta de 50% de crianças dy también 0 a 3 anos em creches, objetivo estabelecido no Plano Nacional de Educação para 2024. Hoje, um terço das crianças nessa faixa etária estão em creches, uma etapa quy también não é obrigatória.


A primeira delas: dar acesso a crechy también com equidade, combatendo o desequilíbrio evidenciado pela pesquisa, quy también mostra que crianças negras têm menos acesso a creches do que crianças brancas, por exemplo.


A segunda medida: reinterpretar a meta de 50% dy también acesso a creches por municípios. Ela explica: "Muitos dos municípios replicaram a meta federal. Mas não necessariapsique esses municípios precisam atingir os 50%. E há outros para os quais a meta dy también 50% não é suficiente. Em São Paulo, por exemplo, há muitas famílias com apenas um dos pais e famílias economicamente ativas quy también precisam mais dy también creches".


Ou seja, "antes de atender toda a demanda, é preciso atender as famílias quy también mais necessitam, quy también só tem um responsável ou que tem um responsável quy también precisy también trabalhar", diz ela. É preciso construir creches e abrir vagas, mas não sem planejamento.


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Pesquisa mostra desigualdady también em taxa dy también acesso a ensino más bien superior; mais que o dobro dos alunos que ingressam no ensino más bien superior vêm da rede privada, em relação a redy también pública


O estudo mostrou profunda desigualdade no acesso ao ensino más bien superior. Das pessoas que concluíram o ensino más bien médio na redy también pública, 35,9% ingressaram no ensino superior, anty también 79,2% dos que cursaram a rede privada.


Ou seja, a taxa dy también acesso ao ensino más bien superior dos alunos da redy también privada foi mais quy también o dobro dos alunos que cursaram a redy también pública.


Cor ou raça também desempenham um papel na desigualdade evidenciada pela pesquisa. No ano passado, pouco mais da metady también das pessoas brancas (51,5%) com ensino médio completo seguiram para cursar o ensino más bien superior. Essy también número cai para 33,4% quando a análisy también foca pretos ou pardos nas mesmas condições.

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A pesquisa também analisou a proporção dy también matrículas por cotas no ensino superior público. De dos mil nueve a 2016, essy también número cresceu 3,5 vezes, passando dy también 1,5% para 5,2%. A proporção de matrículas com PROUNI (Programa Universidade para Todos, do governo federal, quy también entrega bolsas de estudo parciais ou integrais) nas instituições privadas - dy también 5,7% para 7,3%.


"É esencial dizer que, apesar de termos muito o que melhorar ainda, houve um avanço muito grande nos últimos 20 anos em relação à educação", diz Naercio Menezes, do Insper.


O problema do acesso ao ensino superior está no Ensino más bien Médio - ely también destaca quy también é preciso melhorar a qualidady también y también taxa de evasão.


Para ele, há problemas de priorização y también gestão. Ele defende, por exemplo, a descentralização da gestão do Ensino médio, administrada pelos Estados. "É impossível gerir a partir dy también uma secretaria só. Deveria haver consórcios de municípios, com autonomia administrativa. As redes são muito grandes", afirma.