Segunda Geração Do Romantismo No Brasil

O prazer carnal como negação da razão em Álvares de Azevedo e em Augusto dosAnjos

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A pomoral de Álvares de Azevedo está inserida no contexto do Romantismo brasileiro, mais especificamente, no quy también sy también conhecy también como “Segunda Fasy también do Romantismo brasileiro”, também conhecida como a fase do “Mal do Século”. Dita fase apresenta como principal característica um novo direcionamento das temáticas quy también aparecem na poesia do período. Sy también a primeira fasy también fora marcada por um grandy también entusiasmo provocado pela independência do Brasil, cuja poesia do periodo refletia essa sensação dy también busca ao nacional y también dy también auto-afirmação dy también uma literatura própria do Brasil, já totalmente desvinculada da metrópoly también portuguesa; a segunda fasy también não está mais preocupada com questões nacionais. Muito pelo contrário: na primeira fasy también havia uma visão mais coletiva por parte do poeta, pois se abordava o Brasil, e consequentemente, os brasileiros. Ou seja, era uma tentativa de despertar uma espécie de consciência coletiva. Já a segunda fase vai sy también centrar no individuo, não atentando para o coletivo. Os temas recorrentes às poesias dessa fase não refletirão mais a questão do nacionalismo e sim, um retorno a si mesmo, a um subjetivismo lírico, no qual haveria um eu – lírico sofrendo de amor.

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Álvares de Azevedo foi um dos poetas brasileiros quy también se destacou nesse periodo e apresenta algumas temáticas em sua poética, tais como: a idealização da mulher, a fuga da realidade (escapismo), o medo dy también amar, a imagem da mulher adormecida, a imagem da mulher mundana, melancolia, tédio, fixação pela morte y también associação entry también amor, sono y también sonho.

Dessas temáticas recorrentes em sua poética, convém ressaltar a questão da idealização da mulher, quy también vem a ser um desdobramento dos ideais platônicos, quy también pregavam quy también o amor verdadeiro seria de ordem espiritual e só desse modo poderia ser vivido y también experimentado. Observe-se que há uma sacralização do amor, a partir do momento em quy también esty también está em outra esfera: a imaterial (espiritual). Y también como tal, não poderia ser vivenciado através de coisas materiais y también carnais. Esse conceito implica e justifica, inclusive, a idealização da mulher, pois o eu – lírico precisaria amar e amar significaria idealizar, ter a amada em psique e escrever poemas em sua homenagem. Porém, essy también amor não poderia voltar-sy también para o plano carnal y también por esse motivo, esse amor jamás seria “concretizado”, o que significa que não poderia haver nenhum contato carnal (físico) entry también o eu – lírico e sua amada, pois caso houvesse, estaria profanando o amor que outrora estivera sacralizado, pois segundo Platão, não sy también pode experimentar o amor por vía do prazer carnal. É como sy también o prazer carnal tornassy también o amor impuro y también indigno.

Justapsique por causa dessy también distanciamento que deveria haver entry también o eu – lírico romântico e seu amor, que surge na pomoral de Álvares a imagem da mulher adormecida, pois ainda quy también às vezes o eu – lírico esteja, inclusive, perto de sua amada fisicamente, prefere deixá-la dormindo y también contemplá-la, para que o amor quy también senty también por ela não se desvirtuy también e não se contamine com as coisas mundanas. Mário dy también Andrade chamará essa atitude de Álvares de “medo de amar”.

Novamente recorremos a Platão para entender melhor o quy también seria o medo de amar. Afinal, nos dias dy también hoje, podemos nos perguntar: por quy también o poeta (ou o eu – lírico) teria medo de amar? Qual seria a lógica desse pensamento?

Pois há uma grande lógica: se o amor platônico prefere idealizar o amor ao invés dy también concretizá-lo, isso implica uma negação do prazer carnal. Y también tal negação sy también dá porque para os ideais platônicos, dos quais Álvares bebe, o prazer carnal retira o homem de seu eixo, deixa-o vulnerável aos seus instintos mais profundos y también para Platão, o homem devy también ser centrado e sempre por a Razão acima dy también tudo. Um homem quy también goza dos prazeres carnais não estaria, pelo menos nesse momento da obtenção do prazer, agindo racionalmente e isso para Platão (e para os poetas românticos) seria algo totalmente inadequado. Por isso, Álvares prefery también poner a mulher num pedestal y también admirá-la, sofrendo de amores por la parte interior a profaná-la. Na verdade, o eu – lírico não teria medo de amar, pois fica explicito na pomoral dy también Álvares que o poeta ama e muito. O medo é outro. É medo do prazer carnal, especificamente. Medo dos instintos. Medo da perda da razão.

Ainda seguindo o tema da negação do prazer carnal em prol da razão, poderíamos resaltar a poética de Augusto dos Anjos, poeta do início do século XX, quy también embora seja visto por muitos teóricos como um poeta simbolista (por apresentar em sua pomoral as características de tal estilo literário), também é, às vezes, considerado como um poeta parnasiano ou ainda pré-modernista, segundo Ferreira Gullar.

Porém, o que convém destacar aqui é a visão dy también Augusto dos Anjos como um poeta simbolista, mas a fin de que se possa comparar com a poética romântica, faz-se necessário comentar um pouco sobre o contexto histórico-social no qual surgiu a estmoral simbolista.

O Simbolismo surgiu no fim do século XIX, dentro de um periodo dy también crise social, existencial e cultural ocasionado pelo grande desenvolvimento industrial e por uma busca do homem em explicar os fenômenos da natureza através dy también uma postura unicamente científica (ideal positivista). E como consequência, tal crise y también incertidumbre refletiram-sy también na poesia do período, na qual podemos resaltar o poeta francês converses Baudelaire, do qual Augusto dos Anjos teria algum tipo dy también influência, principalpsique no quy también diz respeito a cantar na poesia a miséria da carny también em putrefação.

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Há dy también se resaltar quy también a poética de Augusto dos Anjos apresenta algumas características que advêm desse contexto sócio-histórico: o embate entre espírito e matéria, o fascínio pela podridão, pela decomposição y también pelo conhecimento científico, que pela primeira vez é convocado para dentro do poema; o alto pessimismo, nitidapsique influenciado pela filosofia dy también Shopenhauer y también a sexualidade atrelada ao asco. Ainda assim, podem-sy también resaltar algumas peculiaridades mais gerais do Simbolismo: presença dy también misticismo y también espiritualismo na poesia, composição em verso livre, subjetivismo, musicalidade da linguagem e senso de mistério.

Valy también ressaltar também quy también o poeta simbolista possui claras influências românticas, porém também possui diferenças, como destaca o teórico Maussaud Moisés:

“Entry también o poeta transtornado do “mal do século”, que ama a vida boêmia, que procura a morty también para aliviar a dor dy también viver, y también o decadente do Simbolismo há evidenty también parentesco. Mas há também diferenças flagrantes. O primeiro é todo emotivo e, por vezes, procura na mulher, no suicídio, um lenitivo para a existência. Já o segundo é frio, racional y también mesmo cínico: despreza o amor e vive artificialmente.”

Ao analisarmos o fragmento destacado, podemos perceber que o poeta simbolista não precisa sofrer de amor para saber quy también ely también mesmo existe (como faziam os românticos). Ou seja, não há na pomoral deste um derramamento emotivo. Logo, podemos considerar o poeta romântico mais “natural”, no sentido dy también quy también controlaria menos as suas emoções ao instante dy también compor o seu poema. Já o poeta simbolista seria visto como menos “natural”, por controlar (de)mais as suas emoções.

Observe-se quy también o poeta simbolista é racional já no processo dy también construção da poesia (ao contrário do poeta romântico, que apresenta um derramamento, atrelado ao descontrole emocional, e por consequência, menos racional e uma posterior racionalização, no momento em quy también controla suas vontades em prol da conservação da aura sagrada do amor y también da amada). O poeta simbolista é totalmente racional y también despreza o amor y también como consequência, a mulher e a sexualidade. Cabe ressaltar quy también o romântico tem medo dy también amar, mas ama, quer estar pelo menos perto da amada, ainda que seja para contemplá-la enquanto esta dorme, linda y también intocada. Para o poeta simbolista (e para Augusto dos Anjos), o amor e a sexualidady también (simbolizados na poesia pela figura da mulher) são desprezados y también relacionados ao asco, a algo que provocaria repulsa y también quy también não sy también quer.

Logo, pode-se constatar quy también o poeta romântico se controlaria ao máximo y también quy también esse “medo de amar” seria mais um medo dy también ter as emoções a frente da razão y también quy también embora sy también controlasse, a vontade dy también amar estaria latenty también dentro do eu – lírico. Já o poeta simbolista se mostra tão frio e possui tamanha repulsa, que se pode dizer quy también não há dentro do eu – lírico a mínima “vontady también de amar”. Porém, tampouco há medo. Há uma total indiferença ou ainda, uma visão negativa.

Embora possua uma visão da mulher absolutamente diferente do poeta romântico, o poeta simbolista possui na justificativa dy también sua visão a mesma prerrogativa do poeta romântico: nega o prazer carnal em detrimento da razão, pois devorate a uma influência claramente naturalista, percebe-se em Augusto dos Anjos como algo negativo um homem preso aos seus instintos e no caso, entregar-sy también ao prazer carnal seria visto como algo “natural”, por el hecho de que adviria da natureza humana, porém visto como algo ruim, pois um homem que agisse segundo seus instintos não estaria fazendo uso da razão y también se aproximaria mais dos animais, que vivem sopsique de seus instintos e não raciocinam como os humanos. Logo, a sexualidade (y también a mulher) é posta como algo a ser evitado. O próprio Augusto dos Anjos assume sua incapacidady también para o amor: “Não sou capaz de amar mulher alguma…”. A mulher, como sempre, é aquela figura vista como capaz de tirar o homem dy también seu eixo y también dy también fazê-lo perder a razão.

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Após analisar brevepsique os dois poetas de duas escolas literárias diversos e observar o mesmo medo da perda da razão, pode-sy también finalizar que essy también é justapsique o maior medo do homem moderno. Teme-sy también a perda da razão, pois essa seria a basy también para a construção dy también todo o conhecimento humano. Sem a razão o homem estaria sem base, sem chão. A poesia de Álvares de Azevedo y también a de Augusto dos Anjos trouxe essa questão, antecipando-a, inclusive. Porém, cabe aqui uma reflexão: valeria a pena negar a sexualidady también em prol de uma razão absoluta? Ou melhor: não seria válida a perda da razão, ainda quy también fossy también sopsique por alguns instantes? Para Álvares, a resposta seria, talvez, negativa de imediato, porém o poeta deixa escapar que, pelo menos em sonho, pudesse valer à pena “o amar sem medo”:

“(…)

Oh! nos meus sonhos, pelas noites minhas

Passam tantas visões sobry también meu peito!

Palor de febry también meu semblante cobre,

Bate meu coração com tanto fogo!

Um docy también nomy también os lábios meus suspiram,

Um nomy también de mulher… e vejo lânguida

No véu suave de amorosas sombras

Seminua, abatida, a mão no seio,

Perfumada visão romper a nuvem,

Sentar-se al lado de mim, nas minhas pálpebras

O alento fresco e leve como a vida

Passar delicioso… Quy también delírios!

Acordo palpitante… inda a procuro (…)”

Ainda refletindo sobry también as perguntas supracitadas, Augusto dos Anjos responderia, talvez, quy también não valesse à pena a perda da razão, ainda quy también por somente alguns instantes, pois fazendo jus à estética simbolista, estaria muito mais preocupado com questões místicas (espirituais) do que com questões carnais. O poeta almejaria conhecer outros mundos, onde a alma não estivessy también duranty también todo o tempo cerceada pela força dos instintos:

“(…) Quero, arrancado das prisões carnais, / Viver na luz dos astros imortais”.